Brasil será pioneiro e terá vídeo no futebol para ajudar árbitros

19/02/2016

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Para manter o princípio de igualdade do regulamento, a CBF planeja utilizar equipes nos dez jogos de cada rodada ao custo de aproximadamente R$ 12 milhões este ano. Cada “time” instalado em uma cabine especialmente montada nos estádios será composto por um AV e, ao menos, um técnico para a rápida edição de reprises das imagens, que serão gravadas para consultas posteriores.

Empresas de tecnologia de imagens aplicadas em outros esportes, como o vôlei, já foram consultadas e enviaram orçamentos à CBF. A princípio, seriam até oito câmeras próprias por jogo distribuídas ao redor dos campos da Série A.

– A ideia é evitar que os erros da arbitragem sejam tema em 30 das 38 rodadas do Brasileiro – declarou Serapião.

A atuação do AV não será indiscriminada e nem precisará interromper o jogo, salvo lances de agressão fora do campo de visão, pênaltis ignorados e bolas que entraram e o juiz não viu. E o árbitro de campo não poderá acionar a equipe nas cabines, somente o contrário, através da comunicação via rádio. O AV estará autorizado a corrigir erros claros, ao menos para as câmeras, que interfiram no resultado.

– Por exemplo: o jogador é puxado fora da área, mas cai dentro, e o juiz, equivocado, marca pênalti. O vídeo está mostrando claramente que é fora. O juiz é informado e, ao invés de marcar o pênalti, revê a sua decisão para marcar falta fora da área. E não precisa parar o jogo, porque o pênalti já estava marcado e, naquele meio tempo entre um lance e outro, o árbitro será avisado – explicou Serapião.

Os árbitros de vídeo serão treinados a partir de março. O perfil é o de juiz experiente, que já tenha atuado em campo e sido instrutor da CBF. Durante o treinamento, Serapião dará exemplos do que pode ou não valer a interferência do AV, mostrando vídeos de lances polêmicos em partidas nacionais e internacionais. Ele fez uma coletânea de erros grosseiros recentes, como o gol de Lampard, da Inglaterra, contra a Alemanha, na Copa de 2010, ignorado pelo juiz mesmo com a bola tendo ultrapassado a linha em 33cm.

– No Brasileiro de 2015, durante um Fla-Flu, o zagueiro Wallace ajeita com a mão a bola, que sobra para Emerson Sheik marcar o gol, que foi validado pelo juiz Ricardo Marques (MG). O juiz marcou o gol para o Flamengo porque não viu, tinha a visão obstruída ou estava desconcentrado. Nesse caso, O AV diz para ele invalidar o gol devido à jogada ilegal – declarou Serapião.

O AV não irá dar informações ao juiz de campo em caso de lances de interpretação, quando há contato físico que terminem em falta ou pênalti, mas que sejam discutíveis. A medida visa a manter a autoridade do juiz principal.

– Um lance no qual há contato físico que descamba para o campo da interpretação, o AV não interfere. Se o jogador é puxado pela camisa até a linha do pênalti, cai antes, mas a imagem não revela com clareza, o AV não interfere, não opina se não houver discussão, porque ele não poderá tomar uma decisão que possa ser contestada depois – afirmou Serapião.

ERROS GROSSEIROS

Os exemplos de equívocos da arbitragem ao longo da história são variados. Injustiças foram cometidas em lances capitais de partidas importantes, até em decisão de Copa do Mundo. Como no caso de Espanha x Holanda, na final do Mundial da África do Sul, em 2010. Uma entrada extremamente violenta do holandês De Jong no espanhol Xabi Alonso foi punida apenas com o cartão amarelo. O auxílio do vídeo poderia ter feito o árbitro americano Howard Webb usar mais rigor no lance, ocorrido na metade do primeiro tempo. A Espanha foi campeã na prorrogação, mas com um homem a mais poderia ter tido uma vitória mais tranquila.

Quando usar o vídeo

AGRESSÃO AO ADVERSÁRIO

Dois jogadores se embolam na linha de fundo, e, discretamente, um deles chuta o rosto do outro. O vídeo ajuda a mostrar o que o juiz não conseguiria ver.

DENTRO DA ÁREA OU FORA DA ÁREA?

A bola é lançada para Balotelli, em Itália x México da Copa das Confederações de 2013. Na corrida, ele é puxado e cai. Pênalti ou falta na entrada da área?

COTOVELADA EM LANCE PELO ALTO

Um tipo de lance que costuma ser complicado para o juiz: bola está sendo disputada no alto e de repente escapa um cotovelo. A câmera está lá para acusar.

DIVIDIDA OU FALTA?

Muita vontade na jogada às vezes vira “uso de força excessiva”, como gostam de dizer os comentaristas de arbitragem. No detalhe da imagem fica mais fácil elucidar o caso.

PÊNALTI OU CHOQUE NORMAL?

O goleiro sai para dividir com o atacante, que dá o drible da vaca. Os dois se chocam, e o atacante cai. O vídeo ajuda a saber se houve falta ou apenas uma trombada inevitável.

 

O Globo