Critérios diferentes de notificação distorcem mapa da microcefalia no paÃs
17/01/2016

Já se passaram mais de 40 dias da mudança no critério de notificação de microcefalia pelo Ministério da Saúde -que passou de 33 para 32 cm, para seguir uma determinação internacional. Apesar disso, os dados oficiais dos Estados seguem critérios diferentes. Não existe um parâmetro de contabilização dos casos, e assim o mapa apresentado pelo Ministério da Saúde tem distorções –cerca de 1.000 notificações ainda inclusas como suspeita são de casos com perímetro cefálico superior à nova determinação. Vale lembrar que o último boletim divulgou 3.530 casos de microcefalia suspeitos de ter relação com o zika vírus.
Há Estados, por exemplo, que nunca usaram o critério de notificar bebês com 33 cm. Outros, chegaram a usar, mas descartaram os casos logo após a mudança do ministério. E há ainda unidades da federação que decidiram seguir com as notificações, o que “inflaciona” a conta total de casos.
Em Pernambuco estão concentrados 35% dos casos notificados no país até agora. Mas o Estado foi um dos três que decidiu não excluir da lista os bebês com 33 cm notificados inicialmente.
Segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde, dos 1.236 casos notificados lá, apenas 461 (37% do total) estão dentro dos novos parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Quase 2/3 continua na lista porque o Estado decidiu os manter e realizar exames de imagem.
Como os exames estão levando semanas para serem realizados, a lista segue com as notificações antigas de crianças com 33 cm de perímetro cefálico. Até a terça-feira (12), apenas 191 crianças tinham sido avaliadas, com 103 casos confirmados, e 87, descartados.
Na Paraíba, segunda colocada no ranking de Estados com mais casos, a gerente executiva de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Renata Nóbrega, também informou que os todos os casos suspeitos ainda estão na conta. “São mais de 100, não sei aqui o número exato. Todos estão passando por exames de imagem, que vai confirmar ou descartar a suspeita”, disse.
No Rio Grande do Norte, a secretaria também afirmou que há bebês com 33 cm de perímetro cefálico inclusos na lista atual de notificações, mas não informou quantos.
UOL
