Dilma Rousseff tenta desqualificar acusações
30/06/2015
Por Cláudia Trevisan e Altamiro Silva Jr.
Da Agência Estado
Nova York (AE) - Com referências à Inconfidência Mineira e a seu passado de presa política, a presidente Dilma Rousseff atacou o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, e disse que a contribuição de R$ 7,5 milhões da empresa à sua campanha de reeleição foi realizada de maneira legal. “Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é que é. Tentaram me transformar em uma delatora”, afirmou a presidente em Nova York, em suas primeiras declarações públicas desde a divulgação da delação premiada de Pessoa, na sexta-feira.
Dilma Rousseff critica o delator durante entrevista coletiva que concedeu nos Estados Unidos
Dilma ressaltou que a empresa também fez doações a seu adversário no 2.º turno da eleição presidencial, Aécio Neves (PSDB), em valores semelhantes aos recebidos por sua campanha. “Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo, se insinuam, alguns têm interesses políticos”, afirmou, em um tom enfático. A presidente disse ainda que nunca se encontrou com Ricardo Pessoa.
Outro motivo apresentado pela presidente para refutar as acusações foi o fato de ser mineira e ter crescido com lições sobre a Inconfidência. “E há um personagem que a gente não gosta, porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. E ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator”, disse, mencionando o traidor do movimento dos inconfidentes mineiros.
A presidente lembrou o período em que ficou presa, durante a ditadura militar, e foi submetida à tortura para entregar seus companheiros. “E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente “ Apesar das críticas, Dilma afirmou que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar as denúncias. “Tudo, sem exceção.” Ela disse que tomará medidas contra Pessoa caso ele faça acusações contra ela. Quanto aos ministros mencionados na delação, Edinho Silva (Comunicação) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), a presidente afirmou que cabe a eles decidir o que fazer em relação a Pessoa.
