Policial

Bets ilegais movimentaram R$ 415 milhões e usavam loteria criada por prefeitura do RN, aponta investigação

18/06/2026

Foto: Divulgação/MPRN

 

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a Operação Conto da Sorte, que investiga um esquema de apostas online considerado irregular e que teria movimentado centenas de milhões de reais em todo o país.

A ação aconteceu simultaneamente nos estados de Pernambuco, São Paulo e Ceará, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas suspeitas de participação no esquema.

Segundo o MPRN, o grupo utilizava uma loteria municipal criada pela Prefeitura de Bodó, na região Seridó potiguar, para dar aparência de legalidade a diversas plataformas de apostas esportivas e jogos de azar na internet.

A investigação apura crimes como lavagem de dinheiro, exploração ilegal de jogos de azar, associação criminosa, induzimento à especulação e crimes contra as relações de consumo.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, os suspeitos utilizavam técnicas digitais para atrair usuários para as plataformas ilegais.

O grupo invadia sistemas de órgãos públicos e inseria códigos em páginas com domínios considerados confiáveis, como sites terminados em “.gov.br” e “.edu.br”. A estratégia fazia com que mecanismos de busca direcionassem usuários para os sites de apostas, transmitindo uma falsa sensação de credibilidade.

Movimentação milionária

As investigações apontam um crescimento patrimonial expressivo dos envolvidos.

Dados citados pelo Ministério Público mostram que as empresas ligadas ao esquema arrecadaram cerca de R$ 415 milhões em apenas dez meses de operação, gerando um repasse de aproximadamente R$ 8,3 milhões para os cofres do município de Bodó.

Além disso, uma das empresas investigadas teria registrado créditos que somam R$ 4,6 bilhões somente em 2025.

Empresas de fachada e “laranjas”

Para movimentar os recursos e esconder os verdadeiros responsáveis pelo negócio, o grupo teria criado uma rede de empresas de fachada.

Segundo o MPRN, essas empresas eram registradas em nome de pessoas de baixa renda, beneficiários de programas sociais ou parentes dos organizadores. Mesmo com os registros empresariais baixados junto à Receita Federal, algumas continuaram movimentando recursos.

A investigação também identificou que os líderes do esquema criaram 21 empresas registradas em um mesmo endereço considerado fictício em Bodó.

Bens bloqueados

Ainda em novembro de 2025, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 145 milhões pertencentes ao grupo investigado.

A medida incluiu bloqueio de contas bancárias, investimentos, previdência privada, veículos e imóveis dos suspeitos.

Operação em quatro estados

A Operação Conto da Sorte contou com a participação de promotores, policiais civis, policiais militares, servidores do Ministério da Fazenda e integrantes dos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos mandados em imóveis residenciais e comerciais nas cidades de Recife, Caruaru e Toritama, em Pernambuco; Fortaleza, no Ceará; além de São Paulo e Iguape, no estado paulista.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e o alcance do esquema.

 

Portal Tropical

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