“Cirurgias bariátricas tiveram uma queda de 25% em um ano no Brasil com o avanço das canetas emagrecedoras”, diz presidente de sociedade médica
16/06/2026

Fotos: Edilson Dantas / O Globo – George Frey / Bloomberg – Cydni Elledge / The New York Times
As canetas emagrecedoras estão transformando o tratamento da obesidade e já impactam a procura por cirurgias bariátricas. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Juliano Canavarros, os medicamentos não devem substituir a cirurgia, mas atuar de forma complementar. Segundo ele, pacientes com obesidade leve e moderada têm obtido bons resultados com as canetas, reduzindo a necessidade de operação.
Questionado pela reportagem de O Globo sobre o impacto da expansão das canetas emagrecedoras nas bariátricas, Canavarros disse: “Isso já é um fato, houve uma redução. Temos diferenças muito grandes pelo Brasil, mas estimamos uma diminuição de em média 25% na procura no ano passado. O que é normal, porque a caneta é uma nova modalidade terapêutica que está se encaixando dentro do escalonamento que fazemos na escolha dos melhores tratamentos para cada paciente de uma doença crônica que é a obesidade.”
No Brasil, a redução foi de 18% considerando somente e rede privada em 2024, segundo a ANS. Nos Estados Unidos, um estudo apontou queda de 34,1% nas cirurgias entre 2022 e 2024, enquanto o uso desses medicamentos cresceu mais de 140%.
Casos mais graves continuam sendo candidatos à bariátrica, considerada mais potente e duradoura no longo prazo. Além disso, entre 5% e 10% dos pacientes abandonam os medicamentos por efeitos colaterais ou falta de eficácia.
Canavarros destaca que a combinação entre cirurgia e tratamento medicamentoso já é uma realidade, tanto para preparar pacientes antes da operação quanto para evitar o reganho de peso após a bariátrica.
Apesar dos avanços, o acesso à cirurgia ainda é limitado, principalmente no SUS, onde há longas filas de espera. Para o especialista, o desafio passa por ampliar a estrutura de atendimento e atualizar as diretrizes de tratamento da obesidade no sistema público.
Ele também afirma que as técnicas cirúrgicas evoluíram significativamente, tornando o procedimento mais seguro e com índices de complicações cada vez menores.
Com informações de O Globo
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