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Morre terceira paciente de centro de diálise em Mossoró

27/03/2026

Diferente das outras duas vítimas, Marivânia não morreu na clínica. A mulher passou mal em casa, em Grossos, por volta das 12h de quarta-feira (25), procurou uma unidade de saúde e foi levada de ambulância para o Hospital Municipal Flaviana Jacinta.

Marivânia era paciente renal da Clínica de Diálise de Mossoró — Foto: Cedidas

Marivânia era paciente renal da Clínica de Diálise de Mossoró — Foto: Cedidas

 

Morreu nesta quarta-feira (26), em Grossos, na Região Costa Branca do Rio Grande do Norte, a terceira paciente do Centro de Diálise de Mossoró, que suspendeu as atividades na terça-feira (24) por conta de outras duas mortes - essas ocorreram na unidade.

Marivânia Freire Mendonça, de 36 anos, era paciente renal crônica. Segundo a família, ela não realizava sessões na unidade desde semana passada e não conseguiu fazer hemodiálise na terça por conta da interdição da clínica.

Contexto: Os casos são investigados pela Vigilância Sanitária do RN e pela Polícia Civil. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) interditou a unidade "até que os fatos sejam apurados e a segurança dos pacientes garantida". O Centro de Diálise informou que o equipamento responsável pelo sistema de osmose apresentou uma intercorrência técnica que comprometeu o seu funcionamento (veja mais abaixo).

Segundo a prefeitura de Grossos, Marivânia teria alegado que estava há quatro dias sem realizar sessões. A família dela informou que ela costumava fazer três por semana.

A unidade informou que ela estava com quadro de dispneia (falta de ar) importante, com saturação de oxigênio em 89%, além de pressão arterial elevada.

Segundo a prefeitura, ela teve piora do quadro clínico, sendo necessária a entubação. A pressão também seguiu alta, apesar das intervenções.

"No momento em que estava sendo preparada para transferência a uma unidade de maior complexidade, a paciente evoluiu com parada cardiorrespiratória. Foram iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 45 minutos, porém sem êxito, sendo constatado o óbito", informou a prefeitura.

O marido dela, Franciélio Gertrudes de Farias, contou que a esposa apresentou sintomas de inchaço após não realizar a hemodiálise no dia anterior.

"Chegou lá e disse que o hospital tinha fechado e estava com falta de água. E ela chegou em casa já toda inchada. Chegou com muito líquido. Eu vi que a cara dela estava muito inchada. Ela ficou sofrendo de um dia para o outro e começou a inchar cada vez mais", contou.

Realocação de pacientes

O Centro de Diálise de Mossoró atendia 224 pacientes, sendo 208 via SUS e 16 por convênios.

Em nota, a Sesap informou que, após a interdição da unidade, procedeu o contato com as clínicas, a regulação das vagas e reorganização de onde os pacientes seriam atendidos na quarta.

"As listas com os nomes foram encaminhadas a todos os municípios, que são os responsáveis por entrar em contato e coordenar o encaminhamento dos pacientes, bem como o transporte de todos", informou a pasta.

A Sesap informou que os pacientes atingidos pela paralisação do Centro de Diálise de Mossoró foram todos realocados em clínicas de Mossoró, Caicó e Natal.

Na noite de quarta, 104 pacientes atendidos nas três cidades, "priorizando os que tiveram seu procedimento paralisado ainda na terça-feira por conta do fechamento da clínica".

Outros 94 pacientes começam a ser atendidos nesta quinta, durante os turnos da manhã e da tarde.

 

Raquel Ferreira e Iraci Inácio morreram no Centro de Diálise de Mossoró — Foto: Cedidas

Raquel Ferreira e Iraci Inácio morreram no Centro de Diálise de Mossoró — Foto: Cedidas

 

Do g1RN

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