Policial Militar do RN é apontado como elo importante em esquema milionário de fraudes em concursos públicos
06/10/2025

Uma investigação da Polícia Federal (PF) apontou que um policial militar do Rio Grande do Norte teve papel importante em um esquema milionário de fraudes em concursos públicos que beneficiava uma família do Nordeste.
Segundo a apuração, o PM potiguar Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior é investigado por usar uma clínica odontológica em Patos (PB) como fachada para lavagem de dinheiro obtido com as fraudes.
A investigação desarticulou organização criminosa – estruturada a partir de laços de sangue – que transformou concursos públicos federais em um negócio milionário. No centro da trama, está o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, apontado como líder de um esquema que beneficiava diretamente irmãos, filhos e sobrinhos em aprovações fraudulentas em certames de alto prestígio.
Segundo os investigadores, a confiança construída entre os integrantes foi o que garantiu a sofisticação da fraude. O núcleo era formado por Wanderlan e os irmãos Valmir Limeira de Souza e Antônio Limeira das Neves, além de Wanderson Gabriel de Brito Limeira (filho) e Larissa de Oliveira Neves (sobrinha). Cada um tinha uma função – do recrutamento de candidatos ao repasse de gabaritos e movimentação financeira.
De acordo com o inquérito, Ariosvaldo seria um dos elos centrais para dar aparência de legalidade aos valores movimentados pela quadrilha. O uso da clínica odontológica teria permitido mascarar recursos provenientes da venda de gabaritos e do aliciamento de candidatos.
O grupo, liderado pelo ex-PM Wanderlan Limeira de Sousa, foi estruturado em torno de laços familiares e tinha como objetivo infiltrar parentes em cargos públicos de alto prestígio. Irmãos, filhos e sobrinhos de Wanderlan foram beneficiados em certames como o Concurso Nacional Unificado (CNU) e o concurso da Polícia Federal.
A sobrinha Larissa chamou a atenção ao optar por fazer a prova do Concurso Nacional Unificado (CNU) em Patos (PB), apesar de morar em São Paulo. A escolha levantou suspeitas porque o CNU não era regionalizado – ou seja, ela poderia ter feito em qualquer lugar.
Já o irmão Antônio, agente penitenciário em São Paulo, foi identificado como inscrito no concurso da Polícia Federal de 2025, evidência de que a quadrilha pretendia ampliar sua influência para dentro da própria corporação que apura o caso.
Wanderlan e Valmir chegaram a ser aprovados no CNU de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, uma das carreiras mais concorridas do país, com salário inicial de mais de R$ 22 mil. Larissa também aparece entre os aprovados.
A suspeita não é isolada. Filho de Wanderlan, Wanderson Gabriel já havia sido investigado em 2024 por fraude no concurso da Polícia Militar da Paraíba, quando uma candidata foi flagrada com ponto eletrônico no ouvido. A Polícia Civil encontrou transações financeiras entre os dois.
As investigações revelam ainda que Wanderlan e outros familiares já haviam conquistado aprovações suspeitas em cargos como auditor fiscal do trabalho, com salários iniciais acima de R$ 22 mil, além de tentarem expandir sua influência para dentro da própria Polícia Federal.
Com informações e foto arte do Metrópoles
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