Padre se recusa a dizer nome de criança durante batizado por não considerá-lo cristão
31/08/2025

Foto: Reprodução/TV Globo
A família de uma criança que foi batizada em uma igreja católica do Leblon, na Zona Sul do Rio, afirma que o padre se recusou a dizer o nome da menina alegando ter ligação com um culto religioso.
A família da menina Yaminah conta que o batizado foi um momento muito planejado e aguardado pela família: todos do lado paterno foram batizados nessa igreja.
Os pais da criança, David Fernandes e MarcelleTuran, dizem que enviaram todos os documentos necessários e fizeram o curso de padrinhos. Segundo eles, foi minutos antes da cerimônia que o padre manifestou sua insatisfação.
“O padre chamou a minha sogra antes de começar o batismo e falou que ele não falaria o nome da nossa filha porque não era um nome cristão. A gente foi conversar na sacristia com ele e ele falou que o nome dela estava ligado a um culto religioso e que por isso não falaria o nome dela”, conta a mãe.
A mãe relata que, então, ele disse que falaria Maria e o nome da criança, mas os pais não quiseram essa opção.
Durante a cerimônia, a família conta que ele se referia como “a criança”.
“Ele falava ‘a criança’, ‘a filha de vocês. Ele não falava o nome dela de jeito nenhum. E no momento mais importante, que é quando você joga água na cabeça, você fala ‘eu te batizo, o nome da criança’, ele não falou”, relata.
Um vídeo, gravado por uma tia, mostra que ela chegou a pedir que o padre falasse o nome de Yaminah. Ele, então, responde que já tinha falado.
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A família conta que a escolha do nome tem um significado importante para a família.
“A gente queria um nome com significado importante, forte, e o nome dela significa justiça, com prosperidade, direção. É um nome, pra gente, muito importante, muito bonito e não tinha necessidade disso acontecer”, afirma Marcelle.
O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância como preconceito por raça, cor ou religião.
A Arquidiocese do Rio emitiu uma nota dizendo que o batismo foi celebrado corretamente, segundo o ritual romano do batismo de crianças e que o nome das crianças não é mencionado em todos os momentos da celebração, mas em um momento específico previsto pela liturgia.
Por fim, a Arquidiocese disse que repudia qualquer forma de discriminação e reafirma o compromisso com acolhimento, diálogo respeitoso e respeito à diversidade cultural.
Do g1/RJ
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