Médico cubano do ‘Mais Médicos’ revela que sabia do salário de R$ 2.900, mas nunca soube que Cuba recebia R$ 11.400 pelo seu trabalho
18/08/2025

Foto: Reprodução
O médico cubano Yaser Herrera, 37 anos, atende hoje em São Paulo amparado por uma decisão judicial. Sem revalidar o diploma e sem contrato direto com o Ministério da Saúde, ele sobrevive profissionalmente graças a uma liminar obtida junto a outros colegas que também decidiram permanecer no Brasil após o fim da participação de Cuba no programa Mais Médicos.
Assim como todos os colegas, sabia desde o início que receberia menos do que o Brasil pagava; só não sabia o tamanho dessa diferença: enquanto o contrato previa um repasse de cerca de R$ 11,5 mil mensais por profissional, ele ficava apenas com R$ 2,9 mil. O restante ia para o governo cubano.
“O que o Brasil pagava para o mais médico, a gente não sabia que era aquele valor”
“Descobri o valor real do nosso salário quando uma médica brasileira que trabalhava na mesma UBS que eu, também pelo Mais Médicos, me mostrou o contracheque dela. Era a mesma função, mas ela ganhava quatro vezes mais”, relembra.
Herrera desembarcou no Brasil em 2017, numa leva de 500 médicos enviados pela ilha em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Foi lotado em uma Unidade Básica de Saúde em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, onde trabalhou por quase dois anos.
Além do salário reduzido, os cubanos também recebiam uma ajuda de custo bem abaixo da prevista oficialmente. Enquanto o governo brasileiro destinava bolsas de instalação de até R$ 25 mil para médicos que atuariam em áreas remotas, os cubanos ficavam com apenas R$ 4 mil. “O resto ficava retido. Nós agradecíamos achando que era um benefício do governo de Cuba, mas depois entendemos que eles nos roubavam”, diz Herrera.
Do g1
Essa publicação é um oferecimento

