Líder do governo diz que fim da reeleição foi aprovado sem debate

28/05/2015

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou nesta quinta-feira (28) que a proposta de acabar com a reeleição para os cargos eletivos do Executivo foi votada sem discussão adequada e que houve uma “onda” por sua aprovação que não representa, necessariamente, apoio à ideia.

A emenda à Constituição passou nesta quarta (27) no plenário da Câmara por 452 votos contra 19, com o apoio de todas as legendas, incluindo o PT.

Guimarães votou a favor, mas disse que é contra a medida. “Não tinha saída, o que adiantava, tinha uma onda no plenário”, afirmou ele, acrescentando considerar que ausência da possibilidade de reeleição é coisa de país atrasado.

A medida, que tem que passar ainda por votação em segundo turno na Câmara e pelo Senado, estabelece que os prefeitos, governadores e presidente da República eleitos em 2016 e 2018, e daí em diante, não poderão disputar um segundo mandato consecutivo.

Ou seja, os atuais governadores e prefeitos não são atingidos. Para a presidente Dilma Rousseff, é indiferente, já que ela se reelegeu em 2014 e não poderá disputar novamente em 2018.

“Ninguém pode fazer reforma política a partir de um interesse pessoal, caso contrário fica capenga, meia-sola”, afirmou, sem citar nomes.

A crítica é direcionada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que manteve a votação do fim da reeleição no final da noite desta quarta mesmo após Guimarães e o PT pedirem o adiamento para discutir melhor o assunto.

“O distritão [modelo eleitoral rejeitado pela Câmara] e o financiamento privado das campanhas [aprovado] foram amplamente discutidos, os outros temas estão sendo votados no afogadilho, com uma pressa desnecessária. O voto a favor do fim da reeleição foi um voto da dúvida, na verdade”, afirmou o líder do governo.

Com Folha Press