“O autismo só é leve quando não é na sua casa”, diz o advogado Bruno Henrique
06/05/2025

O advogado Bruno Henrique Saldanha Farias, pai atípico casado com a também ativista da causa autista, Flávia Emerenciano, faz uma reflexão sobre a falta de empatia por parte de uma parcela significativa da sociedade que não procura compreender experiências e visões de mundo diferentes das suas.
O operador do Direito Médico e da Saúde inicia o seu depoimento com o seguinte questionamento: Sabe quando o autismo é leve? Quando não é na sua família.
O advogado ressalta que “é comum ouvirmos expressões como “ah, mas o autismo dele é leve, né?”, geralmente ditas com a intenção de amenizar a situação. No entanto, quem vive a rotina com uma pessoa autista — mesmo considerada de “grau leve” — sabe que a realidade vai muito além de rótulos simplistas.
O chamado autismo leve é uma classificação clínica baseada no nível de suporte necessário para o desenvolvimento daquela pessoa. Ela pode falar, estudar, apresentar certa autonomia e ter menos dificuldades aparentes. Mas isso não significa ausência de desafios. Pelo contrário: muitas dessas dificuldades são silenciosas, profundas e constantes, especialmente para quem acompanha de perto.
Só quem está dentro de casa sabe o quanto pode ser difícil lidar com crises inesperadas, seletividade alimentar, rigidez de comportamento, dificuldades sociais, sobrecargas sensoriais, transtornos associados como TDAH ou ansiedade, entre tantos outros aspectos que não cabem em uma simples palavra: leve.
Além disso, o uso do termo pode minimizar dores, apagar vivências e até atrasar o acesso a direitos, como o atendimento educacional especializado, terapias e adaptações necessárias. A invisibilização do sofrimento de uma criança por parecer “funcionar bem” pode ser tão prejudicial quanto a ausência de diagnóstico.
Por isso, é importante que a sociedade compreenda: não existe autismo fácil. Existe autismo com mais ou menos suporte — e todas as famílias precisam ser ouvidas, respeitadas e acolhidas.
Sabe quando o autismo é leve? Quando não é na sua casa. Quando não é com o seu filho. Quando você não vive a rotina, o esforço e a luta diária por inclusão, respeito e dignidade.
Falar sobre isso é garantir empatia, conscientização e mais humanidade no olhar social sobre o espectro”, ressalta Bruno Henrique.
Blog de Daltron Emerenciano
