Famílias vêm até da Paraíba para pedir dinheiro em avenida de Natal
20/12/2024
Foto: Reprodução
Fenômeno social que acontece há décadas em Natal, famílias de várias cidades e até de outros estados têm feito ocupações em barracos e tendas improvisadas na Avenida das Alagoas, em Neópolis, zona Sul de Natal, em busca de doações para o fim do ano. Segundo relatos, as ocupações já acontecem há pelo menos dois meses e têm se intensificado nas últimas semanas com as proximidades do Natal e Ano Novo.
Segundo os relatos, há famílias de diversas cidades do Rio Grande do Norte, como Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Arês, Ceará-Mirim, São José de Mipibu, Extremoz, entre outras. Há casos, inclusive, de familias vindas de outros estados, como a Paraíba.
Em comum, os relatos são semelhantes e praticamente idênticos: famílias em situação de vulnerabilidade social, com dificuldades para encontrar emprego e em alguns casos, sem escolaridade. Parte dos moradores da ocupação recebem benefícios sociais, como Bolsa-Família.
A reportagem esteve no local nesta quarta-feira (18) e pôde observar pelo menos 40 barracos e tendas ao longo de toda a Avenida das Alagoas, que historicamente costuma abrigar famílias em situação de vulnerabilidade social nesta época do ano. São mais de 100 pessoas, entre mães, pais, crianças e idosos, passando o dia em busca de doações e dormindo nos espaços.
É o caso de Clara Maíza, de 20 anos, que veio com o marido de Mamanguape, na Paraíba, distante 130km de Natal, em busca de doações. Ela cita que ambos estão desempregados e passam por dificuldades na cidade natal, tendo vindo à capital potiguar em busca de doações.
“Vim aqui para ver se ganho alguma coisa, a vida está difícil por lá. O Bolsa Família faz tempo que estou atrás, mas não recebo nada. Está sem emprego lá [na Paraíbal. O pessoal passa e faz doações, ganhamos alimentos, roupas. Mas é muito difícil, porque o que ganhamos dividimos. É muita gente aqui. Estou desempregada e estou aqui e espero que seja por pouco tempo. Vim para Natal porque é bom de ganhar as coisas e quando cheguei aqui o pessoal dizia que era um local bom”, cita.
Tribuna do Norte
