Moda do RN se une em associação e aposta em capacitação para crescer

12/11/2024

A Associação de Moda do RN (AMO-RN) foi lançada ontem (11), na sede do Sebrae/RN, em Natal | Foto: Alex Régis

 

Na expectativa de superar desafios e fortalecer o setor, o mercado fashion potiguar ganhou um reforço com a criação da Associação de Moda do Rio Grande do Norte (AMO-RN), lançada nesta segunda-feira (11), na sede do Sebrae/RN, em Natal. A entidade nasce com o objetivo de expandir um segmento que, segundo o Sebrae/RN, reúne cerca de 3 mil empresas no estado e gera mais de 20 mil empregos. Contudo, enfrenta gargalos como a falta de mão de obra especializada e a concorrência nacional e internacional.

A cadeia produtiva da moda inclui uma diversidade de atividades, abrangendo costureiros, estilistas, designers, indústrias têxteis, e lojas físicas. O Rio Grande do Norte possui uma vocação natural para o setor, mas, conforme explica o presidente da nova associação, Eduardo Cacho, as iniciativas costumam ser pontuais. “A AMO nasce para conectar todas essas partes, reunindo desde grandes fábricas até a pequena costureira que trabalha em casa. Esse é o principal objetivo: unir o mercado e expandi-lo”, explicou Cacho.

Essa expansão almejada busca ir além das fronteiras estaduais, inspirada pelo exemplo da Riachuelo, que se originou no RN e, com apoio do Sebrae e do Governo do Estado, levou sua atividade ao interior por meio do programa Pro-Sertão. Nesse modelo, oficinas de costura produzem para a empresa âncora. “Temos mais de 100 empresas certificadas pela ABVTEX, que comprova a qualidade excepcional de nossos produtos. Precisamos mostrar esse trabalho ao país”, destacou Cacho.

Durante o processo de criação da AMO-RN, foram mapeados os principais entraves ao crescimento, sendo a falta de mão de obra qualificada o maior deles. Eduardo enfatiza que esse será o principal foco da associação. “Há empresas que não vendem mais por falta de capacidade produtiva. Algumas oficinas também estão paradas pela escassez de mão de obra qualificada. Nossa meta principal será ampliar essa capacitação”, afirmou.

O especialista em mercado têxtil, Eduardo Cristian, um dos maiores conhecedores de estratégias de produção e vendas no setor, reforça a importância da união entre empreendedores em prol de um objetivo comum. “Apesar da entrada de produtos importados, ainda há muito mercado para explorar e melhorar. O DNA industrial do RN, iniciado com a Guararapes, trouxe uma visão de profissionalismo essencial para o setor”, explicou Cristian, conhecido como Embaixador das Confecções.

De olho nessas oportunidades, a empreendedora Graça Menezes vê com otimismo a criação da associação. Atuando no segmento de moda praia desde os anos 2000, ela espera que a AMO-RN contribua para impulsionar o setor. “Acredito que a associação pode trazer uma grande alavancada para a moda no estado. Espero que possamos lutar para reduzir nossa carga tributária e trabalhar em conjunto para diminuir os custos”, pontuou.

Concorrência internacional é desafio

O Sebrae/RN, que atua junto aos empresários do setor de confecções desde 2012, esteve presente em todo o processo de estruturação da Associação de Moda do Rio Grande do Norte (AMO-RN), oferecendo consultoria para mostrar a importância do associativismo.

O fortalecimento das marcas no mercado nacional e até mesmo internacional é um dos maiores desafios a serem enfrentados. “Hoje o mercado de confecções sofre com a concorrência internacional, não apenas no desenvolvimento em moda, mas em todos os segmentos. É preciso que os empresários desenvolvam produtos de alto valor agregado para se posicionar no mercado por meio desses nichos”, explica a gerente de moda do Sebrae/RN, Verônica Melo. “Trabalhar a questão de mercado é um dos grandes eixos, uma das principais temáticas. É essencial que os empresários estejam atentos para analisar o mercado e os concorrentes, desenvolvendo um produto que realmente traga uma solução para o cliente”, acrescenta.

Ao longo dos anos, o Sebrae/RN tem feito diversas ações para fomentar e impulsionar essa indústria por meio de capacitações e intervenções para melhoria da gestão, do processo produtivo e do desenvolvimento de produto. “Hoje, esse segmento tem algo em torno de 3 mil empresas que geram mais de 20 mil empregos no RN. Esses dados demonstram a importância do setor para a economia do estado e, por isso, o Sebrae sempre incluiu o segmento em suas estratégias”, destaca.

Verônica Melo diz que a associação agora precisa estruturar um plano de ação. “Uma possibilidade é estruturar uma rede de compras coletivas, para reduzir os custos de produção e facilitar o acesso aos centros de modelagem, que é um dos gargalos da indústria”, propõe a gerente do Sebrae/RN.

 

Por Cláudio Oliveira/Repórter

Fonte: Tribuna do Norte