Campanha combate preconceito contra pessoas com deficiência
13/06/2024
Lançamento da campanha ocorreu ontem com uma audiência pública realizada no auditório Cortez Pereira, na sede do Legislativo - Foto: Eduardo Maia
O Capacitismo, caracterizado por ideologias e comportamentos que discriminam portadores de deficiências, é tema da campanha lançada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), nessa quarta-feira (12), buscando conscientizar sobre o assunto. O presidente da ALRN, deputado Ezequiel Ferreira, destacou a necessidade do diálogo e de informar à sociedade sobre como o capacitismo prejudica a inclusão desse público.
“Com a campanha, o nosso principal objetivo é combater qualquer tipo de ação no que tange à discriminação. Precisamos formar uma sociedade avessa ao capacitismo. Assim, com respeito às pessoas que com deficiência, poderemos ajudá-las a conquistarem seus próprios espaços”, destacou o presidente.
Com o tema “Capacitismo: informe-se. Aprenda. Não faça”, a campanha conta com peças publicitárias montadas com letterings e QR code, num formato tecnológico e moderno para atrair públicos de todas as idades. O influenciador digital e ativista Ivan Baron, que tem limitações na locomoção devido à uma paralisia cerebral provocada por meningite na infância é o protagoniza da iniciativa. “A campanha é importante para gerar a conscientização, atingir pessoas leigas e ignorantes sobre a temática e torná-las aliadas dessa luta que precisa ser de todos. O letramento acontece na mudança de atitudes e de pensamentos que são enraizados na sociedade, pois sabemos que o capacitismo é cultural, são ideias reproduzidas muitas vezes, sem que haja o conhecimento sobre”, destaca.
O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Natal e da Sociedade dos Cegos no RN, Ronaldo Tavares, vê a iniciativa da ALRN como ponto de partida, mas que precisa de outras medidas. “A campanha ajuda, mas não é suficiente para fazer a sociedade entender que a pessoa com deficiência é um cidadão como qualquer outro, que merece oportunidades no mercado de trabalho. Que haja um diálogo mais universalizado ”, sugere.
Maria Luci Maia, mãe dos gêmeos autistas Ângelo e Augusto, populares nas redes sociais, com mais de um milhão de seguidores, diz que há 43 anos não havia nenhum tipo de diálogo sobre o assunto. “Quando os meninos eram pequenos era como se o autismo não existisse, pois não saiam nas ruas, as famílias deixavam eles em casa. Desde cedo fiz questão de inserir meus filhos na sociedade, não só para que eles aprendessem a se comportar nos espaços, mas para que os espaços aprendessem a conviver com eles”, conta.
As dificuldades no tratamento também eram maiores. Ela passou quatro anos em frequentes consultas médicas para ter um diagnóstico dos filhos. Para ela, dar visibilidade à causa ajuda a melhorar as condições de vida dos deficientes. “Foram muitos constrangimentos que eu e minha família passamos, mas nunca cogitamos desistir. Hoje em dia, ter mais diálogo e conscientização sobre o tema proporciona um ambiente mais acolhedor e seguro”, aponta.
Por isso, avalia que quando se combate o capacitismo, ajuda na inclusão dessas pessoas e ajuda a compreender as dificuldades que os familiares enfrentam. “Na medida em que a sociedade vai conhecendo e aceitando as pessoas com deficiência, tudo melhora para as famílias. Hoje eu considero Ângelo e Augusto inseridos na sociedade, mas porquê impus e a sociedade aceitou eles”, comenta Maria Luci.
Fonte: Tribuna do Norte
