Três anos após receber transplante de medula, potiguar tem encontro com doador
11/04/2024
Foto: Cedeida
Maria Francineide Fernandes Rocha, 61 anos, uma mulher ativa, sempre preocupada com a saúde. Alimentação saudável e atividade física sempre estiveram presentes na rotina dela. Uma fadiga após um dia de trabalho acendeu o alerta e logo ela procurou atendimento médico. No resultado do hemograma estava a notícia que não imaginava: leucemia. O ano era 2020, em meio à pandemia do Coronavírus, ela precisou enfrentar a descoberta do diagnóstico e o início do tratamento.
Moradora da cidade de Angicos, distante cerca de 154.79 quilômetros de Natal, Francineide procurou um laboratório particular após o surgimento do sintoma no final de abril de 2020. Horas depois, quando saiu o resultado, os técnicos do laboratório explicaram a suspeita. “O máximo de leucócitos, para uma pessoa saudável, é 10 mil. Ela estava com tantos leucócitos que a máquina do laboratório não conseguiu contabilizar. Chegava um determinado número e zerava”, conta a filha de Francineide, Flávia Rocha. O estabelecimento médico orientou, então, que ela buscasse atendimento especializado com urgência. “Estávamos no início da pandemia, em quarentena. Passamos em casa só para pegar roupa e a gente já veio para Natal”, explica Flavia.
Já em Natal, após a consulta com um hematologista, o mielograma (exame específico que confirma o diagnóstico de leucemia) acusou que Maria Francineide tinha mais de 190 mil leucócitos e a confirmação do diagnóstico de Leucemia Mieloide Aguda de alto risco. “Um momento de angústia muito grande. Uma queda para uma pessoa aparentemente saudável”, recorda.
O tratamento começou durante a pandemia e ela precisou ficar internada diante da alta dose de quimioterapia. Foram sete meses de quimioterapia de remissão e consolidação para manter a leucemia fora do corpo. Mas a única chance de cura viria através do transplante de medula óssea.
As três filhas de Francineide e o único irmão dela fizeram o teste de compatibilidade. Todos eles tinham apenas 50% de compatibilidade com ela. Como a doença estava controlada, o médico decidiu aguardar por um doador 100% compatível.
A confirmação de um doador 100% compatível veio em menos de um ano após a inscrição no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).
A doação
No dia 7 de janeiro de 2021, Francineide realizou o transplante. A doação veio de Minas Gerais. Egnaldo Junior, 37 anos, saiu do estado mineiro para a capital do Rio Grande do Norte para realizar a doação de medula óssea. Francineide e Egnaldo, no entanto, não chegaram a se encontrar.
Após 18 meses de transplante, é possível solicitar a quebra do sigilo e tentar contato entre doador e receptor. E, após muita conversa por telefone, o encontro emocionado aconteceu na tarde da quarta-feira (10), em Natal. Egnaldo Junior não veio sozinho, fez questão de trazer a família para conhecer Francineide e a família dela.
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