Negociador jogou até no bicho para salvar a vida de refém
22/03/2015

No sábado da semana passada (14) o jogo do bicho não deu jacaré, cabra ou coelho na cabeça. O apostador, no entanto, teve motivos de sobra para comemorar. O major Florêncio Júnior, da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, completara 40 anos de idade. O bolo degustado à noite, junto à família, teve o sabor do alívio e da vitória. Ao entardecer daquele dia, chegou ao fim o cárcere privado de um adolescente de 14 anos, mantido refém pelo padrasto, o ex-agente penitenciário Francisco Guimarães, após 41 horas de tensão. Major Florêncio, o negociador, recebeu seu maior presente: a vida do jovem.
A aposta no jogo de azar – feita nos números 15, 06 e 10, por sugestão do ex-agente – foi uma das maneiras encontradas pelo especialista em negociações para conquistar a confiança de Guimarães, que manteve o enteado sob a mira de um revólver calibre 38 durante toda a operação de resgate, considerada a mais complexa já conduzida pela PM/RN em sua história. O cárcere privado da semana passada foi o mais longo já registrado no Estado.
“Uma das formas que encontrei para tentar sensibilizá-lo foi comentar sobre o meu aniversário. De pronto, ele disse: ‘Pois você vai jogar no bicho, na banca que eu costumo frequentar’, e me passou o endereço. Fui e fiz a aposta que ele propôs em minha homenagem. Meia hora depois ele ligou para a proprietária do ponto para confirmar se eu tinha ido mesmo”, disse o major Florêncio, em entrevista ao NOVO JORNAL.
