Tensão política e ajuste global fazem dólar fechar em alta de de 2,58%, a R$ 3,296

19/03/2015

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As incertezas no campo político, que podem atrapalhar o ajuste fiscal desejado pelo governo federal, e um movimento de ajuste no mercado global, uma vez que há o entendimento de que o aumento dos juros nos Estados Unidos está próximo, fizeram o dólar comercial fechar em alta após três quedas consecutivas. A moeda americana subiu 2,58% ante o real, a R$ 3,294 na compra e a R$ 3,296 na venda, é o maior valor para o fechamento desde 1º de abril de 2003, há quase 12 anos, quando fechou a R$ 3,31. Na máxima do pregão, a divisa chegou a ser negociada a R$ 3,307. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por sua vez, registrou queda de 1,08% no índice de referência Ibovespa, aos 50.967 pontos.

Na avaliação de João Medeiros, diretor da Pionner Corretora de Câmbio, o cenário global justifica a alta da moeda americana. Mas, além disso, o Brasil enfrenta uma situação interna complicada, com a disputa política entre governo e a base aliada e as dificuldades para se fazer o ajuste fiscal em um ambiente de baixo crescimento econômico.

— Há uma disputa política e o medo do Brasil ter a nota de crédito rebaixada pelas agências de rating. As exportações também não estão crescendo ainda. Diante desse quadro todo, vamos continuar sofrendo e isso não é exclusividade do Brasil. Outras moedas também estão perdendo força — disse João Medeiros, diretor da corretora Pionner.

Do ponto de vista global, a divisa ganhou força com os investidores reajustando as expectativas sobre o aumento de juros nos Estados Unidos, após divulgação na quarta-feira de comunicado Federal Reserve, o banco central americano. O texto mostrou que o Fed prevê demora na recuperação americana e aumento mais moderado das taxas de juros no país, o que levou à depreciação do dólar ontem. Mas o órgão deixou bem claro que os juros vão mesmo subir e retirou a palavra “paciência” de seu discurso sobre a política monetária — assim, apesar do recuo de ontem, os investidores ainda têm motivos para apostar na alta da moeda.

— A interpretação do comunicado do Fed ontem foi muito equivocada, a venda de dólares foi muito exagerada. Hoje o mercado está voltando ao normal, tanto que as moedas estão perdendo valor frente ao dólar no mundo todo — afirmou Ítalo Abucater, gerente de câmbio da Icap do Brasil corretora. — A verdade é que não resolvemos nosso problema fiscal ainda, e a tensão política em torno dele deixa nossa volatilidade ainda maior. Com isso, o volume no mercado de câmbio tem sido pequeno, levando a oscilações mais bruscas como reação a negócios relativamente pequenos.

Em uma pesquisa do GLOBO com casas de câmbio na tarde desta quinta-feira, o dólar turismo em papel-moeda variava de R$ 3,43 a R$ 3,51, sendo o valor mais barato na Ultramar e a cotação mais cara na Corretora Cotação. O valor da divisa americana no cartão pré-pago também saía mais em conta na Ultramar, que o vendia a R$ 3,65 enquanto que o valor mais alto era oferecido pela Western Union, que o comercializava a R$ 3,72.

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