Anvisa tenta impedir estreia de Willian pelo Corinthians; Fiscal vai ao hotel e diz que atleta pode ser preso se jogar

Publicado em: 12/09/2021

                                Foto: Guilherme Gonçalves

 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou nota neste sábado informando que o atacante Willian, do Corinthians, deveria estar em quarentena de 14 dias e que, por isso, não deve enfrentar o Atlético-GO neste domingo, em Goiânia, pelo Campeonato Brasileiro. No mesmo comunicado, o órgão defende punição a Andreas Pereira, do Flamengo.

Uma fiscal da Vigilância Sanitária de Goiânia chegou, no começo da noite, ao hotel onde o clube está hospedado. Ela não conversou diretamente com Willian. Falou com diretores do Corinthians, explicou a infração e disse que Willian pode ser preso se for a campo.

Ao contrário do que costuma fazer, o Corinthians não divulgou a lista de relacionados para a partida – por isso, não se sabe se Willian está em Goiânia. O clube ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nota da Anvisa e a ação da Vigilância Sanitária.

No caso do Flamengo, a notícia pegou Andreas e o clube de surpresa. O departamento jurídico rubro-negro analisa o caso, mas, em princípio, o atleta mantém a programação para o jogo contra o Palmeiras, neste domingo, quando completa 23 dias no Brasil.

Willian chegou de viagem da Inglaterra no dia 1º de setembro e, em formulário preenchido no desembarque, comprometeu-se a fazer quarentena de 14 dias como medida de prevenção contra a disseminação da Covid-19. Porém, o jogador vinha treinando normalmente.

                                                Foto: reprodução

 

Pela manhã, um grupo de fiscais sanitários já havia ido à residência do jogador em São Paulo, mas Willian não estava presente. Eles deixaram um telefone de contato com um funcionário do atacante. Willian foi notificado de que poderia ser punido de acordo com a lei municipal 13.725/2004, que estabelece o código sanitário do município de São Paulo.

Portaria publicada no Diário Oficial da União no dia 23 de junho defende que estrangeiros vindos da Grã-Bretanha têm entrada restringida no Brasil. Willian, por ser brasileiro, não teve nenhum impedimento na entrada. Houve, porém, um compromisso de quarentena, firmado no formulário preenchido pelo jogador.

Um dos trechos da portaria diz o seguinte: “O viajante que se enquadre no disposto no art. 3º, com origem ou histórico de passagem pelo Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, pela República da África do Sul e pela República da Índia nos últimos quatorze dias, ao ingressar no território brasileiro, deverá permanecer em quarentena por quatorze dias”. O artigo 3 diz respeito a brasileiros.

Procurada, a Anvisa reforçou que Willian entrou no país de forma legal, apresentou resultados negativos de exame RT-PCR e que preencheu suas informações de maneira correta na Declaração de Saúde do Viajante (DSV). A agência reforça que Willian se comprometeu a realizar quarentena de 14 dias. A fiscalização depois da entrada no Brasil, porém, fica a cargo das secretarias estaduais.

O estafe de Willian questiona o fato de, só depois de 11 dias no Brasil, agentes sanitários terem procurado o jogador. O Corinthians lembra que Andreas Pereira chegou ao Brasil no dia 20/08, vindo da Inglaterra, e estreou com a camisa do Flamengo nove dias depois, sem nenhum impedimento.

O caso é diferente do ocorrido com os jogadores da seleção argentina no jogo contra o Brasil na última semana. Por identificar informações falsas, a Anvisa considerou um crime sanitário.

Diz a íntegra da nota divulgada pela Anvisa neste sábado:

“O jogador Willian Borges da Silva, do time do Corinthians, que ingressou no Brasil com passagem pelo Reino Unido nos últimos 14 dias antes de sua chegada, está em período de quarentena, de acordo com o previsto pela Portaria Interministerial nº 655/2021.

Há informações de que o atleta jogará amanhã, domingo (12/09), em Goiânia, no estádio Antônio Accioly, contra o Atlético Goianiense, descumprindo as regras sanitárias brasileiras.

Diante da informação constante na Declaração de Saúde do Viajante (DSV) do referido jogador sobre sua passagem pelo Reino Unido, a Anvisa emitiu, no aeroporto de Guarulhos, o Termo de Controle Sanitário do Viajante – TCSV no dia 01/09, informando sobre a obrigatoriedade de quarentena por 14 dias. O viajante tomou ciência e assinou o TCSV, comprometendo-se a cumprir as regras sanitárias vigentes no país.

Seguindo o procedimento já estabelecido para casos de viajantes brasileiros oriundos de áreas sob restrição temporária, a coordenação da Anvisa em Guarulhos enviou na mesma data ao plantão da Vigilância Epidemiológica de São Paulo e à Rede Notifica do Ministério da Saúde a informação sobre o jogador, para seu monitoramento e vigilância ativa.

Em 06/09 e em 08/09, a Anvisa reiterou a informação, solicitando retorno sobre as providências adotadas. A Agência também comunicou ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde Nacional e local, para acompanharem o viajante.

No entanto, considerando que notícias não oficiais recentes chegaram à Anvisa dando conta de que o jogador vem circulando em treinamentos e que participará de jogo neste domingo em outro estado da Federação, a Anvisa notificou de imediato o CIEVS para que adote as ações necessárias junto à Vigilância Sanitária do Estado ou Município para o cumprimento das medidas sanitárias, com vistas a evitar que o jogador descumpra o período de quarentena.

Neste sábado (11/09), a Anvisa emitiu oficio à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Sport Club Corinthians Paulista, advertindo que o jogador assinou o TCSV junto à Anvisa e está impedido de participar de atividades como treinos e partidas de futebol, devendo cumprir o autoisolamento, sob pena de responsabilização civil, administrativa e penal.

A Vigilância Sanitária do Município de Goiânia também foi acionada e já localizou o hotel onde está o time do Corinthians para que possa atuar.

Por fim, cabe esclarecer que, no caso do jogo do Brasil, a Anvisa acionou a Polícia Federal porque houve descumprimento de regra migratória praticada por estrangeiro ao ingressar no Brasil. No caso do jogador William, trata-se de brasileiro que ingressou no Brasil regularmente e que deveria cumprir medida sanitária no local de destino, de acordo com a Portaria nº 655/21.

A Anvisa considera a situação como sendo de risco sanitário grave e espera a atuação pelas autoridades de saúde locais, a fim de que adotem as medidas de fiscalização necessárias, determinando a imediata quarentena do jogador. Destaca-se que, por se tratar de cidadão brasileiro, a atuação para a observância e acompanhamento do isolamento deve ser realizada pela autoridade local de saúde (secretaria estadual ou municipal), inclusive para o acionamento de autoridades policiais, caso necessário.

ENTENDA A SITUAÇÃO DO JOGADOR ANDREAS

No caso do jogador Andreas Pereira, do Flamengo, a Anvisa teve conhecimento pela imprensa que o atleta foi escalado e jogou em Santos, no dia 28/08.

Neste caso, o jogador ingressou no Brasil no dia 20/08 e também preencheu o TCSV, com o compromisso de cumprimento das medidas sanitárias dispostas na Portaria 655/21, incluindo a quarentena obrigatória de 14 dias, por ter passado pelo Reino Unido nos últimos 14 dias antes da sua entrada no Brasil.

Diante dos fatos, a Anvisa comunicou o CIEVS local para adoção das medidas sanitárias cabíveis, no sentido de punir o jogador e os demais envolvidos na organização da partida, sem prejuízo da avaliação quanto à responsabilização civil, administrativa e penal dos envolvidos.”

 

GE

 




Faça o seu comentário